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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

De volta do Canadá - 19/04/52

Corning, 19 de abril de 1952

Minha querida Ilza:

Cheguei ontem à noite do Canadá, tendo encontrado em casa as suas cartas de 9 e 14, esta última possivelmente tendo chegado ontem mesmo, relativamente rápida. Surpreendeu-me saber que em 9, você estivesse há 13 dias sem notícias minhas, quando eu habitualmente escrevo de 2 em 2 dias. 

Estou imaginando que minhas cartas estejam sendo estraviadas. Esta semana escrevi de Toronto uma vez, no dia 15, juntando vistas de Niagara Falls e dando minhas impressões da cidade. O pessoal da fábrica, como sempre, muito amável e camarada. 

Um engenheiro, que estava morando no hotel, levava-me diariamente, em seu carro, para a fábrica, que fica fora da cidade uns 5 kilometros. Esse engenheiro mostrou-me pontos interessantes da cidade. 

Duas coisas devem ser aqui registradas:


Cemitério da Consolação em São Paulo, para comparar
Os cemitérios, verdadeiros parques ou jardins, extremamente simples, praticamente abertos, sem muros ou cercas. Crianças das casas próximas correm por entre as lápides, geralmente um simples pedra com o nome do morto. 

Nada de monumentos dispendiosos e inscrições pomposas, algumas vezes insinceras, como fazemos aí. 







Mount Pleasent Cemetery em Toronto
Um dos cemitérios a frente do qual passava sempre era o do Mount Pleasent, que quer dizer Monte Agradável ou Prazeiroso, lugar que dá prazer... 

Toda a idéia de morte, de medo, de fantasmas, é completamente dissociada e as crianças parecem não temer os mortos ou a morte. O nome do cemitério também é evitado na frente do portão. 








Outra coisa interessante: um colégio de meninas, penso que correspondente ao nosso ginásio, pois, deviam ter 14 anos em média, usam, agora na primavera e verão, um uniforme escossez, isto é, a saia pela metade da coxa e meias 3/4 . 


O que acontece é que se vê verdadeiras moças andando na rua com as pernas à mostra. Não há, entretanto, maldade por parte dos rapazes e tudo é aceito com naturalidade, sem espírito preconcebido ou malicioso. 



Não notei, tanto nos EE.UU como no Canadá, esse geito dos rapazes daí e dos homens em geral em bolirem com as moças. Não. Há o máximo respeito. Entretanto, os chefes de trens, condutores de bondes (em Canadá) e de ônibus trocam cumprimentos com as moças e senhoras: 
“Como passou o dia? – Como se sente hoje? – Lindo dia, não?” e elas respondem sempre amáveis, sorridentes, como se fossem velhos conhecidos... 



Os empregados aqui do escritório da Corning, por ex., as moças do escritório, secretárias etc., surpreendem pela extrema amabilidade e atenção. Nada forçado ou fingido, parecendo natural nos tratarem, desde o primeiro dia, por “Homero”, oferecendo-se para fazer serviços na máquina, lamentando que não tenha recebido cartas, vindo entregar as cartas prontamente e alegremente. A mesma atenção se nota das lojas ou nos restaurantes. 

Os clientes (seja quem for, operário ou grão fino) conversam com as moças e estas respondem sem acanhamento, usando o mesmo sorriso para todo mundo. A amabilidade, a cortezia, é uma das coisas mais surpreendentes neste povo, que eu pensava frio, empolgado por negócios. Será que as moças brasileiras dessa época eram casca-grossa?? Rsrsrsrs

Ainda ontem no trem que vinha do Canadá, uma senhora (disse-me que tinha uns 40 anos) com uma filhinha de uns 8, dirigiu-se a mim, pedindo para ajudá-la a levar a mala, do ônibus para o trem*. (* Não há carregadores. Todo o mundo leva a própria mala.) “Garrou a conversar” e a fazer perguntas de todo o gênero, quando soube que era estrangeiro e da “South America” (o povo em geral prefere dizer “South America” para todos os países de fora ou abaixo do México). 




Enquanto esperávamos a hora de entrar na plataforma, ela “convidou-me” para irmos tomar café ou lanche no bar da estação. Eu então amavelmente recusei; e ela, insistindo, disse-me com toda a naturalidade própria dessa gente daqui: “Eu pago, vamos;” Não houve outra alternativa e, pela primeira vez na minha vida, uma mulher pagou-me o café com panquecas... 

Parêntesis: não fiquei impressionada porque a tal mulher, ao entrarmos no trem, tomou um banco com a filha e logo “garrou a conversar” com outro visinho enquanto eu me dava por contente por ver-me livre da “máquina de falar”.

Ao Flávio (Irmão) eu escrevi um cartão de New York, bem como a mamãe, dando notícias rápidas a meu respeito. Não há muito tempo para escrever. 


Será que era um negócio assim?
Ao Luiz Guilherme, quando estive em N.Y., eu comprei uma espécie de saco para ser levado em passeio, com uma espécie de touca também, do mesmo tecido azul, parecendo flanela. Eles poem a criança dentro daquilo, puxam o zipe, e fica tudo pronto para o baby passear. Mas próprio para o inverno, penso que ela, a Luth, gostará. 



A questão do rádio do visinho é complicada, porque ainda não tenho confirmação de como irei viajar e só na 2ª. feira, quando estiver no escritório com o dr. Hicks, é que saberei algo a respeito definitivamente. Além disso, faltam-me dólares, tenho receio de complicações alfandegárias e há o problema do espaço na bagagem. 

O Athos teve que comprar um baú novo, na falta de usado, que lhe custou $26.00. Ele lhe dirá (já lhe contou a esta hora) as dificuldades para a embalagem das coisas. Diga ao visinho que eu não garanto nada, pois já estou levando um rádio para Marília e a alfândega é capaz de encrencar e impugnar toda a bagagem.

Parabéns pelos novos alunos que você arranjou. O Doter Karamm foi também um dos meus melhores soldados; lembro-me ele e terei prazer em revê-lo em casa.

(Continua...)

sábado, 16 de agosto de 2014

Curiosidades #16

Até 1873, cidadãos de Toronto que não fossem Católicos ou Anglicanos, não podiam ser enterrados nos cemitérios da cidade. 


Naquele ano foi iniciada a construção do Mount Pleasent Cemetery destinado a cidadãos de qualquer, sem distinção de religião, tendo sido inaugurado em 1876.




Ao longo dos anos, Mount Pleasant desenvolveu-se em um cemitério de grande beleza natural, reforçada por uma exclusiva coleção de obras de arte que continua a crescer.





Por ser um cemitério já bastante tradicional, muitos canadenses proeminentes estão enterrados lá. 


Políticos, governantes, artistas, personalidades do esporte e da música, como o famoso pianista Glenn Gould.










Inicialmente era localizado na periferia da cidade mas o crescimento urbano fez com que hoje ele esteja bem no meio da cidade. 


Por isso também serve à cidade como parque! Além de ser um local de contemplação, respeito e lembranças, um local de passeio das famílias, de caminhadas e corridas, ciclistas etc.

Também ocorrem eventos musicais como este:




A coleção de árvore do cemitério tem crescido em um dos melhores viveiros da América do Norte. Juntamente com as árvores abundantes, grandes jardins floridos, pássaros e outros animais selvagens, contribuem para dar ao cemitério um ar de parque.




Muito diferente da maioria dos cemitérios daqui e o vô Homero achou isso bastante interessante. Isso no próximo post, na próxima quarta-feira. Até lá. 

Fontes:
- http://en.wikipedia.org/wiki/Mount_Pleasant_Cemetery,_Toronto
- http://www.mountpleasantgroup.com/

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Em Toronto - 15/04/52



Toronto – Ontario, Canadá, 15/4/52

Minha querida Zoca: 



Carimbo do passaporte dele no Canadá

Cheguei ontem a Toronto, Canadá, cidade mais importante deste país, depois de ter cruzado exatamente junto às famosas cataratas de Niagara, que são realmente impressionantes de beleza e magestade. 





Não é o postal que ele enviou
Estava um dia chuvoso, com um pouco de cerração, impedindo a completa visibilidade, mas mesmo assim foi um espetáculo inesquecível. Incluso um postal que dá bem a idéia dessa maravilha da natureza.

Viajamos de automóvel sobre magníficas rodovias idênticas à Anchieta e, em 5 horas e meia, chegamos a Toronto, que é a mais comercial e industrial cidade do Canadá. 


Rodovia Anchieta na década de 1950

Pomar de peras florescendo
Cidade de 700.000 habs., fica às margens do lago Ontário e é cercada por magníficos pomares de peras, maças, etc. (que aí vemos nas feiras), que agora começam a brotar.

Dizem-me que, em Maio, quando florescem, é um dos passeios obrigatórios: aspirar o perfume das flores desses imensos pomares (lembram fazendas de café) que se alinham nas planuras ao longo da magnífica rodovia que liga Niagara a Toronto (100kms). 






A cidade tem ares aristocráticos, influência dos ingleses, com a arquitetura sóbria dos europeus. Vi cidadãos, logo de manhã, nas ruas, ostentando o tradicional chapéo de côco (cartolinha), lembrando “lordes” ingleses. Padrão de vida e costumes idênticos aos americanos, embora ridicularizem os vizinhos, como fazem os ingleses. 

Os hotéis, em geral, estão cheios, há convenções de professores, etc. que aproveitaram os 10 dias de férias da Páscoa para viajarem para cá.



O meu Hotel “Rei Eduardo”- veja o escudo e armas da Inglaterra neste papel – é extremamente luxuoso, tendo salões de refeições com decorações e lustres de cristal como jamais vi ou imaginei.




"O Hotel King Edward foi construído pela Companhia George Gooderham de
Hotéis de Toronto para suprir a demanda crescente da metrópole por grandes hotéis.
Quando foi aberto em 1903, o hotel, conhecido carinhosamente por 'King Eddy', foi muito
bem recebido pela cidade. O prédio de 8 andares, à prova de incêndios, projetado pelo
eminente arquiteto de Chicago Henry Yves Cobb e pelo proeminente arquiteto de
 Toronto E. J. Lennox, oferecia luxu e serviços em cenários espetaculares.
A torre de 18 andares, com seu salão de bailes 'Crystal Ballroom' na cobertura,
foi acrescido em 1920-21 para ampliar o hotel. Apesar de ser ameaçado de demolição
em 1970, o hotel foi revitalizado em 1980-81. Em seu 100º aniversário em 2003,
o King Edward, primeiro hotel de luxo de Toronto, permanece um vibrante e elegante ponto
de encontro para visitantes locais e internacionais."
O Hoje hoje.


Na fábrica, que fica num subúrbio a 7 kms, fui bem recebido, na maneira tão amável do pessoal daqui e dos americanos. 

Os canadenses falam sempre na Light de S.P e Rio, pois a firma (Brazilian Traction & Power Co.) tem sede nesta cidade. 


Deanna Durbin
Mary Pickford
Dizem que Deanna Durbin, Mary Pickford e outros grandes astros , são canadenses e um engenheiro da fábrica prometeu levar-me a conhecer a casa em que nasceu Mary Pickford – “The World’s Sweetheart” – A Namorada do Mundo!





O dólar canadense vale 2 cents mais que o americano, desde há poucos meses, o país desfruta grande prosperidade, mas o preço das meias de Nylon e combinações Nylon etc. aqui é mais caro que nos EE.UU.! 




Vou bem de saúde e já ansioso por voltar! O Athos deve partir a 17 e esta carta chegará depois da que ele levou pessoalmente a você. 

Estou fazendo força para economizar uns dólares mais para levar mais alguma coisa. Trate de distrair-se, ir ao cinema, brigar com os filhos, que assim o tempo passa depressa, já passou um mês facilmente! 

O Athos contará a você coisas engraçadas a nosso respeito e gostaria de saber a sua opinião sobre as compras que ele fez e que ele vai convidar você para ir ver. Foi um bom companheiro, moço de bons costumes e sentimentos e que apreciei bastante. Vou naturalmente sentir falta dele, nos dias que ainda aqui passarei, pois, sempre comíamos e andávamos juntos, conversando e fazendo piadas. Com quem, agora, vou falar em português?

Jantei ontem com o gerente da fábrica da Corning e mais um canadense, num dos clubes locais, do qual o canadense é sócio. O clube é tão grande que tinha até rinque de patinação a gelo, onde várias jovens estavam treinando, sob a direção de um instrutor, para os próximos jogos olímpicos.

Estou supondo que o tal clube era este da foto ao lado: Toronto Skating Club. Em 1957 este clube se fundiu com outros 2 clubes, Cricket Club e Toronto Curling Club formando o Toronto Cricket Skating and Curling Club que funciona até hoje.






Havia uma menina de 14 anos fazendo bailados e acrobacias admiráveis, e que é uma das esperanças futuras nos jogos. 




Fazendo as contas e pesquisando, uma atleta do Canadá que participou da Olimpíada de Inverno seguinte, que foi em 1956, e que tinha 14 anos em 1952, cheguei a Barbara Wagner, na foto com o parceiro Robert Paul,  pegaram 6º lugar nas duplas. 
Carole Jane Pachl (que era nascida na Checoslováquia mas competia pelo Canadá) também se encaixa no perfil e também  pegou 6º lugar no solo.

Os vários salões decorados com muito gosto e luxo, atapetados, excelente mobiliário, abat-jours em profusão, onde grupos se reúnem e conversam em voz baixa, com a discreção característica dos ingleses. 

O povo é muito educado (baixo índice de analfabetismo) e orgulham-se de suas 12 universidades.

Bem, vou terminar para por esta no correio, e vou dormir, com saudades de você e dos filhos.

Lembranças e beijinhos ao Homerinho, Flávio e Marília (Como vai o Hélio?). Quem seria o Hélio?

Um beijo saudoso do Homero



sábado, 9 de agosto de 2014

Curiosidades #15

Já falei aqui sobre Thomas Edison e a distribuição de energia elétrica lá nos EUA.
Agora vou falar da eletricidade no Brasil.

- Apaga essa luz! Acha que eu sou sócio da Light??


Primeiro escritório da Light em São Paulo

Foto: arquivo OESP
A Light era The São Paulo Trainway, Light and Power Company que em 1899 foi autorizada, por decreto do presidente Campos Salles, a atuar no Brasil. Sua atuação em São Paulo começou no mesmo ano, através da construção da Usina Hidrelétrica Edgard de Sousa em Santana de Parnaíba, concluída em 1901.

Em 1904, os mesmos sócios criam a The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power. A partir de 1912, as duas empresas passaram a ser controladas pela holding (união de empresas) Brazilian Traction Light and Power Co. Ltd.


Além dos serviços de geração e distribuição de energia elétrica, a Light prestava os serviços de bondes elétricos do município de São Paulo e Rio, uma revolução para a época, quando havia apenas bondes puxados a burro.

(Sobre essa "revolução" Machado de Assis escreveu uma crônica interessante na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, em 16 de outubro de 1892, se quiserem ler está aqui. Porém, este bond que Machado pegou não era da Light.)


Usina Hidrelétrica de Parnaiba, 1904 
Foto: Arquivo OESP

Entre 1900 e 1930, a Light São Paulo realizou inúmeras obras de expansão dos serviços de energia elétrica na capital de São Paulo e municípios vizinhos, construindo em 1908 a represa de Guarapiranga e usinas hidrelétricas, localizadas no Rio Tietê.

Mais tarde, na década de 1940, a Light São Paulo também foi responsável pela retificação do rio Tietê, Rio Pinheiros e pela construção da represa Billings.



Esse recorte do jornal "O Estado de S. Paulo" de 10 de abril de 1911 dá a notícia do contrato da Light com o Governo estadual para iluminação pública de algumas ruas da capital.


Segunda-feira , 10 de abril de 1911


Bonde da Light em 1935

Em meados da década de 1940, a Light São Paulo encerra os serviços de transporte público por meio de bondes elétricos, repassando-os à prefeitura de São Paulo, através da CMTC, que extinguiria o serviço de bondes no fim dos anos 1960.



No ano de 1956 a Brazilian Traction Light and Power Co. Ltd. já era uma holding atuante em diversas áreas como setor imobiliário, hoteleiro, serviços de engenharia, agropecuária, entre outros, e mudou seu nome mas já já eu conto o nome.



As duas empresas "The Rio de Janeiro" e "The São Paulo" Tramway, Light and Power passam a ter uma única razão social:  Light – Serviços de Eletricidade S/A, vinculada à holding principal.

Logotipo criado por Aloisio 
Magalhães na década de 60
Logotipo atual da Light (RJ)
O fim da primeira concessão assinada lá na virada do século se deu durante os anos da Ditadura Militar e por vias meio obscuras a Eletrobrás, adquiriu o controle acionário (estatização) da Light do Rio de Janeiro em 1979. 

Em 1996 foi privatizada. 





Já a Light paulista virou a Eletropaulo em 1981 sob comando do Governo do Estado e, mais tarde, foi subdividida em várias empresas regionais e privatizada.

O antigo edifício-sede da Light São Paulo na Praça Ramos de Azevedo,
ao lado do Teatro Municipal e do Viaduto do Chá, foi construído na década de 1930,
hoje funciona o Shopping Light.

Deixei por último o nome da holding: Brascan - Brasil Canada Ltda.

Isso porque em Toronto, no Canadá, que no dia em 7 de abril de 1899 foi fundada "The São Paulo Trainway, Light and Power Company" por Frederick Stark Pearson (engenheiro elétrico e empresário de transportes) junto com William Mackenzie (também empresário de ferrovias), financiados por James Hamet Dunn (maior banqueiro de investimentos do Canadá na época).

Depois da venda da Light, o grupo Brascan continuou atuando fortemente nos outros setores que já atuava no Brasil e expandindo. Em 2008, o grupo muda de nome para se alinhar ao controlador canadense (Brookfield) e passa a ser Brookfield Brasil, nome bem conhecido no mercado.

Contei tudo isso para dizer que o vô Homero, finalmente, foi pro Canadá! Isso no próximo post, na próxima quarta-feira. Até lá. 

Fontes:
- http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo_Tramway,_Light_and_Power_Company
- http://en.wikipedia.org/wiki/Frederick_Stark_Pearson
- http://en.wikipedia.org/wiki/William_Mackenzie_(railway_entrepreneur)
- http://en.wikipedia.org/wiki/Sir_James_Dunn

- http://blogs.estadao.com.br/arquivo/2011/04/10/em-1911-a-light-iluminava-grandes-avenidas-de-sao-paulo/
- http://en.wikipedia.org/wiki/Brookfield_Asset_Management
- https://www.brookfieldbr.com/content/sobre_a_brookfield_brasil/nossa_hist%C3%B3ria-389.html